A família, de uma maneira geral despenha um papel muito importante no tratamento da obesidade. É nela que os primeiros hábitos da criança se formam, e se ela conviver em contato com pais que a incentivem comer em excesso alimentos muito calóricos, sem nenhum tipo de atividade física regular, ela com certeza se tornará um adulto com problema de obesidade. Nesse artigo abordaremos o papel da família no tratamento da obesidade.
Obesidade infantil
De acordo com especialistas, o número de crianças e adolescentes que enfrentam o problema da obesidade irá a crescer a um ritmo alarmante nos próximos anos. Esta tendência não parece ser limitada a um país, mas em quase todo o mundo, uma vez que quase vinte e dois milhões de crianças ao redor do mundo podem ser classificadas como acima do peso ou obesas.
Este aumento da obesidade resultou em graves consequências para a saúde dos indivíduos, pois foi verificado que cerca de quarenta e cinco por cento de todas as pessoas que foram diagnosticadas como obesas apresentavam casos de diabetes tipo 2 sendo que nas crianças e adolescentes houve um maior número de diagnósticos de crianças com problemas de hipertensão, complicações cardiovasculares e até apneia do sono, em virtude da obesidade.
Uma pesquisa científica demostrou que estas crianças apresentam um grande risco de se tornarem adultos obesos, e as meninas com excesso de peso corporal estão mais propensas a abandonar a escola, pois sofrem com preconceito de serem chamadas pelos colegas de gorda. Já com os meninos a pesquisa identificou como resultado da obesidade, o desemprego quando eles se tornavam adultos.
Apesar dos esforços da comunidade científica para controlar a pandemia da obesidade o grande número de crianças obesas continua a crescer no mundo todo sem nenhuma indicação de que será reduzido. Alguns estudiosos declaram que o problema da obesidade envolve os aspectos orgânicos, tais como genética e metabolismo, bem como os aspectos psicológicos e as condições ambientais em que vive o indivíduo.
A obesidade pode ser mais bem definida como uma combinação de hábitos familiares, sociais, individuais, além de experiências que as pessoas têm na vida que interagem entre si causando um grande impacto em suas vidas.
Importância do ambiente familiar no tratamento da obesidade
O ambiente familiar é o primeiro local onde as crianças experimentam o mundo no qual irão viver. É o lugar e o tempo onde elas irão desenvolver um sentimento de aceitação, e irão explorar suas perspectivas para o futuro. Os primeiros anos se configuram em um período crítico para o seu desenvolvimento, e a educação que a família fornece irá, com certeza direcionar a criança em sua vida de adulto.
Alguns teóricos do desenvolvimento desenvolveram a hipótese de que a obesidade se inicia na infância onde o alimento é utilizado para reduzir a sensação de estresse. Porém isso acaba se se tornando um comportamento aprendido que pode fazer com que no futuro essa criança seja obesa.
Para as crianças que são oprimidas por famílias destituídas de qualquer principio de afetividade que apresentam dinâmicas caóticas, o consumo de alimentos torna-se quase que imprescindível para essas crianças como um meio delas conseguirem sobreviver às alterações emocionais, o que resulta em padrões alimentares anormais ao longo de toda a vida da criança.
Esse modelo de família com ambientes inadequados para o crescimento físico e mental de uma criança é um ambiente muito favorável, manter a criança acima do peso.
Os especialistas afirmam que na criança a obesidade pode se transformar em uma enfermidade psicossomática com a finalidade da criança obter atenção e proteção de seus pais.
Neste modelo de convivência, a família é a principal responsável pela obesidade na criança, porque é inicialmente no centro familiar onde ocorre o início do desenvolvimento e da compreensão pela criança da comunidade social da qual faz parte.
Os tratamentos destinados a resolver os problemas de excesso de peso e obesidade em crianças e adolescentes devem seguir várias etapas diferentes. Os programas de modificação de comportamento, com o foco na família das crianças obesas se mostraram como o mais eficaz tratamento em termos de quantidade de perda de peso e de manutenção.
As intervenções no comportamento considerado inadequado pelo psicoterapeuta são baseadas no princípio de que todo comportamento aprendido pode, ser posteriormente modificado.
Os especialistas no tratamento da obesidade ressaltam que forçar a criança a comer menos ou fazê-la praticar exercícios físicos extenuantes são atitudes totalmente ineficazes na terapêutica da obesidade em crianças e jovens.
Por Salete Dias